A evolução das Normas Regulamentadoras (NRs) é um reflexo direto da preocupação com a saúde e segurança no trabalho. A NR-1, que abarca diretrizes gerais de saúde e segurança, passou a exigir, de acordo com nova redação publicada no ano passado, o levantamento de riscos psicossociais como parte do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
A determinação, que entra em vigor a partir de maio de 2025, está colocando as organizações diante de um novo e importante desafio. Ao mesmo tempo, muitos gestores têm se deparado com um longo caminho a ser percorrido na implementação de programas de saúde mental.
Nesse cenário, um questionamento tem sido frequente: o que fazer quando os programas de prevenção de riscos psicossociais são incipientes, ou mesmo inexistentes?
Identificar perigos ligados à saúde mental dos colaboradores é uma tarefa complexa e envolve mais do que a coleta de dados e a aplicação de ferramentas específicas. Um levantamento desse tipo pressupõe uma análise qualitativa das condições de trabalho, das relações interpessoais e de organização das atividades, além da participação dos colaboradores.
Dependendo do grau de maturidade dos programas voltados à saúde mental, aprofundar-se no levantamento pode expor vulnerabilidades e desafios que demandam atenção e cuidado profissional.
Por isso, acima de tudo, é importante adotar uma postura colaborativa e receptiva a diferentes pontos de vista.
Reconhecer o desafio a ser enfrentado é o primeiro passo!
O primeiro desafio é a resistência à mudança. Muitas empresas podem sentir-se intimidadas pela obrigatoriedade e temer que o levantamento revele um cenário longe do ideal. Essa preocupação, embora compreensível, não deve ser paralisante. Reconhecer problemas é sempre o primeiro passo para a construção de soluções.
Outro obstáculo é a integração do levantamento de riscos ao cotidiano das empresas. Uma vez que esses dados são obtidos, o verdadeiro trabalho começa: incorporá-los ao PGR de maneira estruturada e transformá-los em ações práticas. Isso exige envolvimento da liderança, comunicação clara e uma estratégia de longo prazo.
Desenvolva um plano de ação
Mesmo que o levantamento inicial apresente resultados desafiadores, ele é o ponto de partida para a transformação. O importante é que as organizações tenham um plano de ação claro. Aqui estão algumas etapas essenciais.
Comprometimento da liderança
O engajamento dos gestores é fundamental para que as mudanças sejam efetivas. Líderes que demonstram comprometimento atuam como agentes transformadores e possibilitam que as iniciativas saiam do papel. Isso pode ser alcançado por meio de:
- Reuniões regulares com gestores para alinhar as metas do plano de ação;
- Comunicação clara e transparente sobre os objetivos e benefícios esperados;
- Criação de indicadores de desempenho que envolvam diretamente a liderança;
- Desenvolvimento de treinamentos para preparar gestores para liderar mudanças.
Escolha de ferramentas adequadas
Investir em soluções que auxiliem na coleta e análise de dados facilita a implementação do plano de ação, além de aumentar a precisão na identificação de desafios e oportunidades.
Comunicação interna
Envolver os colaboradores e deixá-los cientes do objetivo das ações reduz resistência e aumenta a adesão. Esse envolvimento, inclusive, é uma diretriz prevista na redação da norma:
- 1.5.3.3 A organização deve adotar mecanismos para:
a) a participação de trabalhadores no processo de gerenciamentos de riscos ocupacionais.
Revisão contínua
O levantamento não deve ser um evento isolado, mas parte de um processo de melhoria contínua.
Uma jornada de aprendizado e evolução
Assim como o PAT revolucionou a maneira como empresas enxergam o bem-estar físico de seus colaboradores, a NR-1 tem o potencial de transformar o cuidado com a saúde mental. Os desafios existem, mas também as oportunidades.
Enxergar o levantamento de riscos psicossociais como um passo fundamental para o progresso organizacional é a chave para superar resistências e promover mudanças positivas.
Times como o da Salú e da Flash estão prontos para apoiar as empresas em adaptações e mudanças significativas, oferecendo soluções que tornam o processo mais eficiente e menos intimidador. Afinal, cuidar da saúde dos trabalhadores é cuidar do futuro das organizações.

