AET: O que é a Análise Ergonômica do Trabalho? 

Por: Allyson Pains
31 de maio de 2024
23 de outubro de 2024

AET: O que é a Análise Ergonômica do Trabalho? 

31 de maio de 2024
AET análise ergonômica do trabalho como fazer

Você já parou para pensar que os riscos ergonômicos estão presentes em todas as funções? 

Uma indústria de alimentos e bebidas, por exemplo, funciona com diferentes grupos hegemônicos de atividades. Algumas posições envolvem a movimentação de cargas de diferentes pesos ou trabalho de pé fazendo, com  movimentos repetitivos.

Mas, na mesma indústria também há as funções administrativas, que exigem a permanência prolongada em frente ao computador. 

Apesar de terem naturezas diferentes, todas elas deveriam ter um cuidado em comum: a atenção à ergonomia. 

Neste texto, vamos explicar sobre a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), seus principais aspectos, quando ela é necessária e como deve ser elaborada. Esse procedimento está previsto nas normas regulamentadoras. Acompanhe o texto!

O que é AET?  

A Análise Ergonômica do Trabalho, também conhecida como laudo ergonômico ou laudo da NR-17, é um procedimento previsto na norma regulamentadora 17. 

Seu objetivo é identificar inadequações estruturais e processuais de trabalho que possam acentuar os riscos e perigos ergonômicos para a saúde dos colaboradores. A análise visa evitar: 

  • Posturas extremas ou nocivas do tronco, do pescoço, da cabeça, dos membros superiores e/ou dos membros inferiores; 
  • Movimentos bruscos de impacto dos membros superiores; 
  • Uso excessivo de força muscular; 
  • Frequência de movimentos dos membros superiores ou inferiores que possam comprometer a segurança e a saúde do trabalhador; 
  • Exposição a vibrações, nos termos do Anexo I da NR- 9
  • Exigência cognitiva que possa comprometer a segurança e saúde do trabalhador.

Além disso, a AET deve indicar as medidas preventivas que a organização deve tomar para evitar casos de acidente. 

Qual a diferença entre AEP e AET?

Embora tenham uma finalidade parecida, AEP e AET não são a mesma coisa.

A Análise Ergonômica Preliminar é um mapeamento prévio que pode ser feito no âmbito do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). 

De modo simples, é como se a AEP fosse a primeira checagem de riscos ocupacionais relacionados à ergonomia. 

A AEP é obrigatória para todas as empresas, independentemente do grau de risco e atividade econômica. Já a AET só é requisitada em casos de maior complexidade do ambiente de trabalho e dos riscos ocupacionais. 

Quando as prescrições da AEP passam a não dar conta das condições de um ambiente de trabalho, é necessário realizar a AEP, que é um procedimento mais profundo. 

Quando fazer a AET? 

A NR-17 define que é necessário fazer a análise ergonômica do trabalho sempre que houver demanda, o que pode ter a ver com a mudança de leiaute, introdução de maquinários novos, novas exigências psicofísicas dos colaboradores, entre outros motivos. 

De acordo com a norma, a empresa deve fazer a AET quando: 

  • For necessário um aprofundamento na avaliação dos riscos;
  • As medidas preventivas indicadas na AEP não estiverem sendo suficientes para evitar acidentes ou doenças ocupacionais; 
  • Quando for sugerida no PCMSO ou nos termos do PGR.

Aliás, vale ressaltar que as medidas da AET devem estar em consonância com os riscos mapeados no inventário do PGR. Já explicamos mais sobre esse importante programa em outro texto, confira abaixo.

Qual o prazo de validade da AET?

No texto da NR-17, não há um prazo de validade determinado para a atualização do laudo ergonômico. No entanto, é recomendável revisar a análise periodicamente, sobretudo quando há alterações no leiaute do ambiente de trabalho e nos tipos de atividades físicas e cognitivas dos colaboradores. 

Ergonomistas costumam trabalhar com o prazo de 12 meses para reavaliar os riscos do ambiente de trabalho e garantir as melhores condições de segurança para os colaboradores, evitando, assim, onerosidade para a empresa. 

Quem pode realizar a análise ergonômica na empresa? 

Tanto a AEP quanto a AET são procedimentos que têm como foco a garantia da saúde e  segurança da população de colaboradores de uma empresa. Por assim serem, é de suma importância que ergonomistas realizem esses procedimentos. 

É comum que esses especialistas sejam médicos, enfermeiros e/ou engenheiros de segurança do trabalho com especialização em ergonomia. 

Como fazer a AET? 

A AET tem algumas etapas preestabelecidas pela NR-17. Antes de listá-las, vale lembrar que a AET não é o primeiro mecanismo de avaliação ergonômica indicado. Ela só deve ser feita sob demanda. Em um primeiro momento, orienta-se a realização da Análise Ergonômica Preliminar. 

Dito isso, o texto da norma regulamentadora indica que a AET deve conter: 

  • Explicitação da demanda do estudo;
  • Análise das tarefas, atividades e situações de trabalho;
  • Discussão e restituição dos resultados aos trabalhadores envolvidos;
  • Recomendações ergonômicas específicas para os postos avaliados;
  • Avaliação e revisão das intervenções efetuadas com a participação dos trabalhadores, supervisores e gerentes;
  • Avaliação da eficiência das recomendações.

Outros pontos importantes sobre a análise ergonômica: 

  • O relatório deve ficar disponível por 20 anos na organização;
  • É necessário ouvir os funcionários para a elaboração da AET.

Qual a importância da AET? 

Além de garantir a regularidade das organizações em relação às normas regulamentadoras, elaborar a análise ergonômica é muito importante para os colaboradores e para a própria empresa. 

Todos os anos, doenças decorrentes de condições ergonômicas inadequadas despontam entre as principais causas de afastamentos do trabalho. 

Só em 2023, de acordo com dados do Ministério da Previdência Social (MPS), foram mais de 51 mil casos de afastamento por conta da hérnia de disco, que ocorre com mais frequência na lombar, e resulta em compressão das raízes nervosas da coluna. 

Diante desse cenário, a análise ergonômica do trabalho tem um papel importante para:

  • Oferecer melhores condições de operações para os trabalhadores;
  • Reduzir a taxa de absenteísmos dos colaboradores nas empresas;
  • Diminuir os gastos com tratamentos de doenças originadas por más condições ergonômicas;
  • Reduzir a abertura de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT);
  • Minimizar as intervenção previdenciária acidentária.

Como a AET se relaciona com outras medidas das NR? 

Quando pensamos em saúde e segurança do trabalho, os programas e ações de prevenção funcionam com sincronicidade em um mesmo ecossistema. Em outras palavras, isso significa que o PGR e o PCMSO não estão desassociados da AET que, por sua vez, não está desvinculada do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Esse raciocínio evidencia a importância de um olhar transversal e abrangente para todas as faces da saúde ocupacional de uma empresa, desde o laudo de condições ambientais do trabalho até os exames ocupacionais e complementares.

Ou seja, é fundamental que a gestão de saúde ocupacional e segurança do trabalho aconteça com alinhamento e visão compartilhada entre os especialistas de SST. Para isso, você pode contar com a ajuda do time de saúde e segurança da Salú!

Aet análise ergonomica do trabalho

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